Política

Levy e Kátia Abreu, Presidenta?

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A campanha da direita contra a Presidenta Dilma lembra o fim do governo de Getúlio Vargas, duramente assediado por Carlos Lacerda, jornalista cuja odiosidade não tinha limites, principalmente depois da morte do Major Rubens Vaz em atentado contra Lacerda. Rubens Vaz era seu acompanhante, há quem diga fazendo as vezes de guarda-costas.

Formou-se então em favor de Lacerda uma ação política visando à renúncia de Vargas, movimento que, ganhando peso, acabou por formar dentro da própria Aeronáutica um grupo de forte presença política, chamado, por sua densidade, República do Galeão.

Hoje, felizmente, as forças armadas mantêm-se distantes das diatribes da oposição, mas, de onde se espera postura democrática, do Congresso Nacional e dos Tribunais, vão surgindo discursos e manifestações golpistas, entretanto sem qualquer apoio popular (o povo já não lhes dá ouvidos).

Esse povo, até há pouco sem fala, já se vai organizando em movimentos populares no campo e na cidade, e de sua organização vai surgindo a proposta de uma nova sociedade, solidária e igualitária, em busca de uma democracia horizontal e efetivamente universalizada, sem espaço para qualquer tipo de fascismo: nem o fascismo de Estado como no século XX, nem até esse novo, previsto e denunciado por Boaventura de Souza Santos, por ele chamado fascismo societal.

Mas a Presidenta Dilma, vejam só, vem anunciando um ministério com nomes que não soam bem junto às forças populares que a elegeram. Na verdade, parecem ameaças; certamente ela não pretende criar uma nova vertente do golpismo, o auto-golpismo.

Eu imagino como estão se sentindo os companheiros do campo e da cidade com a cogitação dos nomes do senhor Levy e de Dona Kátia e me recuso a acreditar que os golpistas possam voltar pra casa dormir em paz e deixar tudo por conta de Dona Dilma. O povo espera, no mínimo, um aceno democrático da Presidenta.

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