Política

Todo apoio a Dilma Rousseff

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Quando começou o século XX? E será que já acabou? Esta atual eleição presidencial oferece algumas situações concretas para encontrar-se, na dialética da luta de classes, algumas respostas.

Na Europa, eu diria, o século XIX, a rigor, só terminou na Revolução comunista de 1917, consolidando-se, com o fechamento da revolução União Soviética, o poder burguês, e nele o modo de produção capitalista e a formatação jurídica assentada na subjetivação individual, na propriedade privada e no contratualismo. Esses os fundamentos que dão a essencialidade institucional do século XIX, tanto na Europa como nos países colonizados.

E aqui no Brasil? Pode tomar-se para a resposta a mesma faticidade europeia? Um simples passar de olhos nos convencerá de que não. Aqui, identifica-se no fim da escravidão e na proclamação da República brasileira, historicamente simultâneas, a passagem da produção agrária para um tímido e vacilante modo de produção predominantemente capitalista. Essa a chegada da burguesia ao poder. E com a ascensão da burguesia, chegava também a classe trabalhadora, já iluminada pelas luzes do anarquismo e socialismo vindos com a cultura política do colonato italiano, que substituíra, desde os idos de 1870, o trabalhador escravo.

Pois esse trabalhador, já politizado, se organizou, na década de 1920, no Bloco Agrário e Camponês, o BOC, e sob a liderança do operário marmorista Minervino de Oliveira, assumiu o protagonismo da luta de classes e promoveu importante greve em São Paulo, assustando a burguesia. Esta a principal razão da revolução burguesa de 1930, e os vitoriosos apagaram da história o BOC, e o poder político assumido por Getúlio Vargas instituiu a justiça do trabalho, e, inspirado na burguesia, um modelo de sindicalismo submisso e inconsequente, gerando a figura perversa do pelego.

Mas o processo de industrialização avançou até que no ABC em São Paulo surgiu um novo sindicalismo sob a liderança de combativo operário e do novo sindicalismo, um partido do próprio trabalhador. Deu-se então um surpreendente ato político. O operário Lula foi eleito, dentro da estrutura burguesa de poder, presidente do Brasil, e depois dele, uma autêntica intelectual orgânica da classe trabalhadora, Dilma Rousseff, que agora se oferece candidata a novo mandato.

Contra esta candidatura ergueram-se todas as antigas forças reacionárias, simulando mentirosa proposta de mudanças. Na verdade o que querem é o retorno ao século XIX, pois se escondem eles num discurso ligado a fantasmas do passado, querem de volta uma estrutura feudal, com seus trancredos, fernandos, armínios e outras antiguidades da memória nacional no museu de sua história política.

PS: O quê o povo não pode aceitar é a traição à memória de Miguel Arraes, símbolo da resistência e das lutas democráticas contra a ditadura empresarial militar que violentou tão duramente esta nação. Que Dona Marina Silva, linha auxiliar da direita, no Brasil, desconheça Arraes, entende-se, mas os próprios descendentes, aí é imperdoável. Uma leitura sobre a história recente do Brasil lhes fará muito bem.

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